1/31/2007

Terá Jesus ressuscitado?

Sem dúvida que a morte e a ressurreição de Cristo são os marcos que fundamentam o Cristianismo. No livro dos Actos dos Apóstolos deparamo-nos repetidas vezes com a frase como "ressurgiu de entre os mortos", entre outras. Se a morte de Cristo é algo que está registado, inclusive nos documentos dos tribunais romanos; já a ressurreição é algo que levantas sérias dúvidas ás mentes mais cépticas.
Para muitos, Cristo não ressuscitou de entre os mortos. Para outros fê-lo mas com um corpo espiritual e não humano. Se alguma destas teorias estivesse certa, então todo o edifício do cristianismo acaba por ruir.
Assim sendo proponho-me a apresentar argumentos, baseados na bíblia (o livro de maior confiabilidade de todos os que já foram escritos) como livro histórico, que possam refutar tais afirmações.

O dia da sua ressurreição... Relata o texto bíblico que na madrugada de domingo, Maria Madalena chega ao sepulcro e encontra a pedra, que tapava a entrada do tumulo, revolvida (Jo 20:1-1). Esta pedra havia sido colocada com o exacto motivo de precaver que algo estranho acontecesse (Mt. 27:62-66).
É importante salientar que a pedra não foi deixada ao abandono, mas que a guarda romana se colocou em vigia.
A pedra, a guarda romana e o selo colocado na pedra, são o primeiro argumento para que se possa provar que Cristo ressuscitou.
Acção contínua e Maria chama Pedro e João, com receio que houvessem levado o corpo. João chega mais rápido e vê os lençóis de linho, sem entrar no sepulcro. Pedro entra e depara-se com o mesmo cenário, com a adição de encontrar o lenço que estivera sobre a cabeça de Jesus, num lugar à parte; seguidamente João entrou, viu e creu (João 20:8).
O segundo argumento é o que João viu, que o levou a crer que Jesus ressuscitara.

Após este acontecimento... Os discípulos encontravam-se com medo dos Judeus(Jo. 20:19). Algum tempo depois encontramos Pedro, um dos que estava com medo dos Judeus, a acusar literalmente os Judeus, da culpa da morte de Jesus (At 2:23). O que se terá passado na mente de Pedro? Será que Pedro e os outros discípulos, judeus fanáticos, estariam dispostos a morrer por uma mentira?
O que levou um homem impulsivo como Pedro, a recear os Judeus e a manter-se em casa? Só algo que o tenha desiludido profundamente. Mas o que levantaria alguém profundamente desiludido, ao ponto de ser capaz de dar a cara perante os Judeus, Romanos etc.? Só algo que tenha reavivado a sua esperança. Este pode ser um terceiro argumento.

A pedra, a guarda e o selo

A pedra usada para tapar qualquer túmulo naqueles tempos, era chamada de Golel. Era um grande e pesado disco de pedra usada para proteger os túmulos tanto de homens como contra animais. O excesso de peso, cerca de duas toneladas obrigava a serem "necessários alguns homens (cerca de 20) para removê-la". Perante o quadro de suspeição que existia em torno de Jesus será provável "que a pedra fosse maior que o normal" (MC 16:4).
Esta pedra, Golel, provalelmente era seguida de uma outra pedra a que se chamava de "dopheg", de menores dimensões. Na zona onde ambas se encostavam era colocado o selo do império, para que se houvesse um mínimo movimento entre elas, fosse detectado. Esse selo simbolizava o "poder e autoridade de Roma".
Quem quebrasse o selo incorria na ira da lei romana", o que levanta sérias dúvidas se homens, duvidosos e temerosos como os discípulos, seriam capazes de colocar em risco as suas vidas, para ficarem com um corpo morto. Cesar decretou o seguinte, "Decreto de César: É meu prazer que tumbas e sepulturas permaneçam perpetuamente imperturbadas por aqueles que as construíram para o culto aos seus ancestrais, oas filhos ou aos membros de sua casa. Se, porém, qualquer um fizer acusação de que outro as destruiu ou que, de alguma maneira, tenha extraído o sepultado, ou o tenha maliciosamente transferido para outro lugar com o objectivo de fazer-lhe mal, ou que tenha substituido o selo por outro, contra este ordeno que seja constituido um tribunal, tanto com relação aos deuses, como em relação ao culto dos mortais. Pois é muito mais obrigatório honrar os sepultados. Que seja absolutamente proibido a qualquer um perturbá-los. Em caso de violação, desejo que o ofensor seja sentenciado à pena capital ou considerado culpado de violação de sepulcro".
É importante salientar que a pedra foi realmente selada e que os guardas que ficaram a vigiar o túmulo o sabiam (Mt 27:66). Este selo, uma corda esticada ao longo da pedra e selada em cada uma das pontas com ajuda de argila de selagem, era guardado por um centurião, possivelmente Petrônio de acordo com a tradição.
Um guarda deste calibre estava disposto a cumprir o seu dever de guardar o túmulo de modo tão rigoroso e fiel como haviam executado a crucificação. Estes soldados não tinham nenhum outro interesse senão o de cumprir "estritamente o seu papel de soldados do império romano". Algum guarda que abandonasse o posto era morto; presume-se que a escolta era composta por quatro a dezasseis homens. Durante as vigias nocturnas o guarda de maior posição fazia... rondas e ao aproximar-se, os guardas deveriam ficar em posição de sentido e saudá-lo.
Perante esta discrição será que podemos acreditar que foram as mulheres, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé (Mc 16:1), que desviaram uma pedra que só vinte homens o poderiam fazer? Essa era a grande preocupação delas, quando de madrugada se dirigiam para o túmulo (Mc 16:3)!
Quando lá chegaram, ao despontar do sol (Mc 16:2), a pedra já havia sido removida. O que remete o acontecimento cronologicamente para trás, para o mais profundo da madrugada, onde os guardas, especializados em vigílias nocturnas, fiscalizavam o tumulo com atenção redobrada. Estranhamente a defesa que os guardas vão mais tarde usar (haviam adormecido), é evidentemente contra tudo aquilo que eles primavam por fazer no exercício das suas funções (Mt 28:11); mais estranho se torna os anciãos estarem dispostos a defenderem a pele de soldados inúteis, perante o governador (Mt 28:14).
Mas se é difícil de acreditar na desculpa que os anciãos formularam; mais complicada se torna, perante a dificuldade de permanecer descansadamente a dormir ao ar livre, antes, durante e após um grande terramoto (Mt 28:2); pior se torna se pensarmos na seguinte perspectiva, como é que os guardas poderiam declarar que foram os discípulos que furtaram o corpo de Jesus quando estavam a dormir?
Mas a invenção dos anciãos colocou a culpa do suposto roubo nos discípulos (Mt 28:13). Mas se isso fosse verdade, qual seria a necessidade de Pedro e João se dirigirem ao túmulo após solicitação das mulheres? Não haviam eles roubado o corpo? Outra questão se coloca, se César havia decretado pena capital para quem roubassem um corpo, porque não prenderam imediatamente os discípulos e os mataram?
As justificações utilizadas não se coadunam com o relato bíblico; não foram as mulheres que fizeram rolar a pedra, já estava quando lá chegaram. Nem tão pouco os discípulos porque só lá foram após serem chamados pelas mulheres. Na verdade foi um anjo que rolou a pedra (Mt 28:2).

Os lençóis

O que João viu e o levou a crer está definitivamente ligado aos lençois de linho, que envolviam o corpo de Jesus. Esses lençois eram colocados em torno de todo o corpo. Começando pelos pés, o corpo era enrolado com as faixas de linho. Entre as dobras eram colocadas as ervas misturadas com mirra. As faixas seguiam até às axilas. Os braços eram colocados para baixo, e depois era enfaixado o pescoço. Uma peça separada era enrolada ao redor da cabeça.O tipo de material dos lençois aderia de tal forma aos corpos que as mortalhas não poderiam ser removidas com facilidade. O peso de todos os lençois chegavam a atingir entre os 52 e 54 quilos. O que prova a ressurreição de Cristo neste episódio é o facto de os panos de linho não estarem espalhados pelo túmulo, mas onde o corpo havia estado. Jesus havia sido enrolado (Jo 19:38-42). A única forma de alguém levar o corpo seria rasgando as vestes ou levando o corpo juntamente com os lençois, mas o que a narrativa sugere é que os panos não foram tocados e o corpo não estava presente. Foi como a crisálida abandonada, da qual surgiu a borboleta. Deve se acrescentar ainda que para além da ausência do corpo, o lençol que estava sobre a cabeça de Jesus foi deixado num lugar à parte(Jo 20:7). O termo "deixado" ou "enrolado", consoante a tradução, não indica que o lençol foi enrolado e lançado para um canto qualquer, mas que o lençol foi enrolado em espiral. Não se deve cair no erro de usar um único sentido na palavra "deixado". A conjugação do campo semantico da palavra indica que o lençol foi deixado com o formato arredondado da face de Jesus. Mais uma vez a borboleta saiu da crisálida. Ninguém roubou o corpo. Jesus ressuscitou, atravessou as vestes que o aprisionavam e o lençol "deixado", foi na realidade deixado por Ele, para que João e outros vissem e cressem que Ele ressuscitou.

A alteração comportamental dos discípulos

Apesar de todos os discípulos terem alterado o seu comportamento após as manifestações de Jesus, pretendo usar mais a figura de Pedro, devido ao seu temperamento, para evidenciar a mudança de comportamento nos discípulos.Quando olhamos para Pedro deparamo-nos com um homem corajoso. Encontramos um homem disposto a dar a vida por Jesus (MT 26:35), e não podemos seque julgar a sua declaração. Creio que Pedro disse o que disse com toda a sinceridade, coragem e com disposição de o fazer. Não obstante este mesmo homem corajoso, ao ver Jesus a ser preso não é capaz de manter a sua posição diante de uma mulher (LC 22:56), o que é profundamente estranho na cultura judaica. Lógicamente ao não conseguir fazé-lo perante uma mulher, fez o mesmo com dois homens (LC 22:58-60). Três vezes negou a Jesus e o galo cantou. O seu olhar cruzou-se com o de Jesus (LC 22:61) e lembrou-se das palavras que Jesus lhe havia dito. Pedro saíu e chorou. Pedro deixou Jesus na multidão. Ele não foi capaz de cumprir o que havia dito. A desilusão era grande demais. Afinal Jesus não era o messias. Durante a crucificação Pedro não se chega perto da cruz (LC 23:49); não foi capaz de se identificar como seguidor de Jesus na hora em que este morria. Após a crucificação Pedro e os discípulos esconderam-se com medo (Jo 20:19). A desilusão havia os marcado profundamente. Dias depois os discípulos, os mesmos que temiam os judeus, já não se encontravam em casa, mas reunidos num cenáculo (Act 1:11). Mudança de comportamento. Antes de se reunirem é relatada uma viagem dos discípulos do monte Olival até Jerusalém (Act 1:12). Outra mudança comportamental. Os discípulos que se escondiam, agora passeavam do monte das oliveiras até Jerusalém. É dia de Pentecostes e algo de estranho acontece. Pessoas de várias nações ouvem judeus falar nas suas próprias linguas (Acto 2:11). Uns perguntavam "o que é isto" (Act 2:12) e outros diziam "Estão embriagados" (Act 2:13). Algo estranho se passa de seguida. Pedro, o homem que não foi capaz de manter a sua posição enquanto Jesus vivia, levantou-se ergueu a voz e advertiu o povo (Act 2:14), culpando-o da morte de Jesus (Act 2:23), frisando no entanto que Este havia ressuscitado (Act 2:24). Algo teve de acontecer em Pedro para o mudar de tal forma. Se foi a morte de Cristo que tornou um homem corajoso, num homem covarde incapaz de se afirmar, só outro evento de tão grande dimensão poderia fazer um homem covarde ter a ousadia de dizer "vós o crucificas-te... porém, Deus ressuscitou". A grande força motivadora de Pedro está reflectida numa declaração sua e de João, "não podemos deixar de falar do que vimos e ouvimos" (Act 4:20). Eles haviam visto Jesus após a ressureição (JO 20:19-21). Esse encontro mudou o "medo" (Jo 20:19) em alegria (Jo 20:20). Não o viram uma só vez. Mais tarde Ele apareceu a Tomé (Jo 20:26-27), e esta manifestação, juntamente com a descrita em Lc. 24:13-35, mostram que o corpo de Jesus não era espiritual mas fisico, porque Tomé tocou-lhe. Tocar implica matéria, corpo, e um espírito não tem corpo .
Podemos argumentar dizendo que muitos dão a sua vida por mentiras, e na realidade isso é verdade. No entanto está fora de questão no cenário que estamos a analisar, porque quando Pedro prega a ressurreição de Cristo, fá-lo com convicção e partindo do princípio que é um facto reconhecido entre todos, pois não apresenta nenhum tipo de argumentação a favor da ressurreição. Se na verdade o que Pedro havia pregado fosse mentira, ou não aceite entre o povo, haveria contestação da parte dos judeus presentes. Mas da parte destes não houve contestação, mas sim conversão. Também Paulo na presença de Festo, ao ser interrompido por este após se defender, proferiu a seguinte declaração, "Não estou louco, ó excelentissímo Festo! Pelo contrário digo palavras de verdade e de bom senso. Porque tudo isto é do conhecimento do rei..." (Act 26:25-26). Paulo mais uma vez, tal como Pedro, não procurou provar a ressurreição de Jesus, ele declarou-a como verdadeira (Act 26:23) e mais uma vez não surge nenhum tipo de argumentação contra da parte contrária.

Conclusão... A morte e ressurreição de Cristo são a base onde todas as doutrinas do cristianismo se fundamentam, sendo que a sua morte foi provada através de vários escritos contemporaneos.
Quanto à ressurreição, é na realidade sempre necessário uma dose de fé para se acreditar nela, mas existem realmente evidências que nos podem indicar a veracidade da mesma. Na verdade a questão não deve ser se Jesus ressuscitou ou não, mas sim o que aconteceu com a pedra, com o corpo, com os lençois, com Pedro e os discípulos? Para se negar a ressurreição tem de se justificar de forma concreta estes acontecimentos. Enquanto ninguém apresenta justificações, a bíblia fá-lo. É a única fonte com respostas. Tudo o resto são especulações sobre o que a Bíblia diz.Por fim prenuncio-me dizendo que me parece injusto declarar que algo está errado sem provar o que é verdadeiro.

9 Biblos:

ruben disse...

Penso que te escapou um pormenor...

Estou a brincar!!
Bom trabalho!
És uma benção!

Maria João disse...

Bom texto!

É bom reflectir sobre a ressurreição. Deus prometeu-nos esta ressureição, mas parece que há medo ou vergonha de se falar do assunto...

Anónimo disse...

A crença não precisa de justificação, exactamente porque é carregada de...
FÉ!
obrigada.
God bless you.
T.

Victoribad disse...

Caro teólogo o preço do pecado foi pago com a morte de Jesus Cristo mas o poder do pecado foi quebrado com a ressurreição de Cristo. (I Cor 15:55-57)
A carne é fraca e vai-se enfraquecendo a cada dia. As situações e os problemas na nossa vida nos desafiam a ponto de desfalecer-mos e perdermos qualquer avanço que pela graça de Deus temos alcançado. A nossa força é pequena e a batalha é longa, séria e sombria. Há provocações que podem desafiar até mesmo os grandes na fé. Mas é bom não esquecer que em tudo, Cristo é a nossa força, ó glória. Temos impedimentos na vida mas a solução é estarmos centrados em Jesus, autor e consumador da fé. Porque Ele vive podemos confiar.

Os meus parabéns, estava muito bom!

Deus te abençoe, servo útil!!

Victoribad

Marlene Maravilha disse...

Este texto é uma aula maravilhosa!
Bom. Muito bom!
beijos

Marlene Maravilha disse...

Passei pra deixar um grande beijo! E que Deus te abençoe!

samuel disse...

Caro Daniel
És salvo pelo gong da inegável alegria e prazer que dás aos teus amigos e "irmãos" e, em última análise, por esta pérola...
"A crença não precisa de justificação, exactamente porque é carregada de...
FÉ!
obrigada.
God bless you.
T."
...com a qual não se pode deixar de ter simpatia.
Mas para nós, "os outros", vais ter que te esforçar um pouco mais, amigo.
O Evangelho defende a teoria de que Cristo ressuscitou em carne e osso e etc, etc, etc, história conhecida.
Qual a melhor maneira de convencer os "incréus" desta teoria? Citar-lhes textos do mesmíssimo Evangelho!?
Não me parece!
Boa sorte!

Daniel disse...

Têm que inevitavelmente de ser estes textos, pelas simples razão que são os históricamente mais crediveis. Quem melhor para consultar, dos que viveram perto dos acontecimentos. Queres que use que textos? os dos evangelhos gnósticos, escritos 100 anos depois?
qual a lógica quando os evangelhos, considerados canónicos, estão cronológicamente mais perto dos acontecimentos?
Não entendo!!!
Aceitam como verdadeiros os livros de homero, os quais os criticos definem como menos rigorosos, mas a bíblia por ser um livro espiritual e não somente histórico, é colocado de parte!
Enfim é o mundo que vivemos

Marlene Maravilha disse...

Preciso ler toda esta riqueza de novo. Prometo voltar logo.
Um beijo grande e Deus te abençoe com sabedoria!